12 de abril de 1923
Fui chamado às pressas até a mansão
Greenfield para cuidar de um caso horrendo. Era por volta de 23:35
quando cheguei a mansão. O local me era familiar, pois recentemente
investigava casos de invasão; sem hesitar adentrei o portão
principal guardado por três policiais e segui pelo entremeio do
majestoso jardim, por logo parar meu veículo sob o majestoso junco
situado ao lado da mansão. O policial Jones me recebeu e logo me
levou até a cena do crime; a mansão cheia de belos detalhes que faziam saltar as sombrancelhas com
tamanha beleza, agora parecia estar encoberta por uma névoa
espectral, cada sombra revelava tristeza e dor. Fui levado até o
segundo andar, onde no corredor percebi as damas a chorar, logo
percebi que a vítima era o velho Charles Dalton Greenfield.
O velho rabugento com cara de sabujo
finalmente tinha encontrado aquele que invadira sua propriedade
recentemente, poucos realmente sentiriam sua falta, mas ainda assim
será uma grande perda para o comércio local. A porta fechada
estavam dois guardas que quando me insuniei a adentrar me estenderam
um lenço que peguei com certo desconforto. Quando finalmente entrei no quarto, o odor nauseabundo quase me
levou a um desmaio, era um quarto magnífico outrora com caras
tapeçarias e belos quadros, agora pintados com o sangue do velho
sabujo. Ali estavam o inspetor de polícia Thomas Roderick e mais
três policiais que desconhecia o nome, assim como um velho conhecido
do jornal local "Sunset News", Ron Maelstom.
Há mais de 25 anos em investigação
criminal, nunca havia presenciado uma cena criminal tão horrenda,
banal, de um ato feito com tanta violência. O corpo de Charles
estava partido em várias partes, suas entranhas estavam espalhados
pelo chão e pela imensa cama, seus membros a primeira vista pareciam
ter sido arrancados e atirados às paredes, o tórax se encontrava ao
lado da cama, no chão, totalmente aberto onde quase todos os órgãos
foram dilacerados; a cabeça jazia em uma escrivaninha sobre uma
pilha de papéis que pareciam importantes para o velho.
O inspetor dirigiu-me um olhar
assustado:
_O que pode ter acontecido aqui?
_A primeira vista inspetor, posso
apenas lhe dizer o que não aconteceu. Irei investigar o quarto
minuciosamente e verei o que posso lhe informar. Este ato brutal
talvez tenha alguma ligação com os relatos de invasão que estava
investigando recentemente.
_Muito bem, vamos lhe dar algumas
horas, a família quer enterrá-lo o quanto antes no mausoléu. -
Disse o inspetor enquanto se dirigia para fora com o jornalista -
Espero que esteja armado Damon, isto parece ser o começo de algo. Os
policiais vão ficar para lhe auxiliar na perícia.
Agora que mencionara, percebi que havia
esquecido meu revólver depois de ter saído às pressas da minha
residência, mas isso não importava naquele instante, estava focado
em descobrir o que aconteceu ali e minha primeira meta, era descobrir
como haviam entrado, pois pela brutalidade se tratavam de vários
homens, já que um animal selvagem simplesmente não subiria até o
segundo andar da casa sem ser notado para matar o velho sabujo.
Saindo à sacada, notei as janelas quebradas para fora, como se as
tivessem quebrado na fuga, no chão notei um rastro de sangue que
infelizmente estava muito disforme para analisar o tipo e tamanho da
bota usada por pelo menos um dos assassinos; o parapeito de madeira
estava muito arranhado, era óbvio supor que ali fora a rota de fuga
usada, quando peguei uma das lanternas do quarto para analisar o chão
em busca de alguma pista, tive a impressão de estar sendo
observado, cerrando os olhos para tentar perceber algo nas colinas
próximas, vislumbrei um vulto de forma espectral andando por entre
os urzais; horrorizado com a sombra disforme ao longe, podia ouvir
meu próprio coração palpitar na garganta, minhas pernas começaram
a tremer como o topo de um pinheiro numa ventania, minha mente estava
me pregando uma peça ou havia algo extremamente anormal nas colinas?
Mergulhado em devaneios percebi a neblina descendo lentamente a
colina e abraçando o vulto como que com braços gélidos que aceitam
o retorno da forma sombria; então um grito estridente me fez gelar a
espinha, aterradoramente assustado, com um esforço levantei e corri
pra fora, onde pra minha surpresa já não havia mais ninguém, o
movimento agora vinha da porta principal onde por entre os vitrais de
anjos
percebi uma carruagem.
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