terça-feira, 9 de julho de 2013

O Monstro do Condado de Greenfield (Parte 1)


12 de abril de 1923
Fui chamado às pressas até a mansão Greenfield para cuidar de um caso horrendo. Era por volta de 23:35 quando cheguei a mansão. O local me era familiar, pois recentemente investigava casos de invasão; sem hesitar adentrei o portão principal guardado por três policiais e segui pelo entremeio do majestoso jardim, por logo parar meu veículo sob o majestoso junco situado ao lado da mansão. O policial Jones me recebeu e logo me levou até a cena do crime; a mansão cheia de belos detalhes que faziam saltar as sombrancelhas com tamanha beleza, agora parecia estar encoberta por uma névoa espectral, cada sombra revelava tristeza e dor. Fui levado até o segundo andar, onde no corredor percebi as damas a chorar, logo percebi que a vítima era o velho Charles Dalton Greenfield.


O velho rabugento com cara de sabujo finalmente tinha encontrado aquele que invadira sua propriedade recentemente, poucos realmente sentiriam sua falta, mas ainda assim será uma grande perda para o comércio local. A porta fechada estavam dois guardas que quando me insuniei a adentrar me estenderam um lenço que peguei com certo desconforto. Quando finalmente entrei no quarto, o odor nauseabundo quase me levou a um desmaio, era um quarto magnífico outrora com caras tapeçarias e belos quadros, agora pintados com o sangue do velho sabujo. Ali estavam o inspetor de polícia Thomas Roderick e mais três policiais que desconhecia o nome, assim como um velho conhecido do jornal local "Sunset News", Ron Maelstom.
Há mais de 25 anos em investigação criminal, nunca havia presenciado uma cena criminal tão horrenda, banal, de um ato feito com tanta violência. O corpo de Charles estava partido em várias partes, suas entranhas estavam espalhados pelo chão e pela imensa cama, seus membros a primeira vista pareciam ter sido arrancados e atirados às paredes, o tórax se encontrava ao lado da cama, no chão, totalmente aberto onde quase todos os órgãos foram dilacerados; a cabeça jazia em uma escrivaninha sobre uma pilha de papéis que pareciam importantes para o velho.
O inspetor dirigiu-me um olhar assustado:
_O que pode ter acontecido aqui?
_A primeira vista inspetor, posso apenas lhe dizer o que não aconteceu. Irei investigar o quarto minuciosamente e verei o que posso lhe informar. Este ato brutal talvez tenha alguma ligação com os relatos de invasão que estava investigando recentemente.
_Muito bem, vamos lhe dar algumas horas, a família quer enterrá-lo o quanto antes no mausoléu. - Disse o inspetor enquanto se dirigia para fora com o jornalista - Espero que esteja armado Damon, isto parece ser o começo de algo. Os policiais vão ficar para lhe auxiliar na perícia.
Agora que mencionara, percebi que havia esquecido meu revólver depois de ter saído às pressas da minha residência, mas isso não importava naquele instante, estava focado em descobrir o que aconteceu ali e minha primeira meta, era descobrir como haviam entrado, pois pela brutalidade se tratavam de vários homens, já que um animal selvagem simplesmente não subiria até o segundo andar da casa sem ser notado para matar o velho sabujo. Saindo à sacada, notei as janelas quebradas para fora, como se as tivessem quebrado na fuga, no chão notei um rastro de sangue que infelizmente estava muito disforme para analisar o tipo e tamanho da bota usada por pelo menos um dos assassinos; o parapeito de madeira estava muito arranhado, era óbvio supor que ali fora a rota de fuga usada, quando peguei uma das lanternas do quarto para analisar o chão em busca de alguma pista, tive a impressão de estar sendo observado, cerrando os olhos para tentar perceber algo nas colinas próximas, vislumbrei um vulto de forma espectral andando por entre os urzais; horrorizado com a sombra disforme ao longe, podia ouvir meu próprio coração palpitar na garganta, minhas pernas começaram a tremer como o topo de um pinheiro numa ventania, minha mente estava me pregando uma peça ou havia algo extremamente anormal nas colinas? Mergulhado em devaneios percebi a neblina descendo lentamente a colina e abraçando o vulto como que com braços gélidos que aceitam o retorno da forma sombria; então um grito estridente me fez gelar a espinha, aterradoramente assustado, com um esforço levantei e corri pra fora, onde pra minha surpresa já não havia mais ninguém, o movimento agora vinha da porta principal onde por entre os vitrais de anjos
percebi uma carruagem.

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